Esta publicação do blog fornece 5 dicas para integrar efetivamente riscos e divulgações relacionados ao clima em relatórios financeiros. As principais áreas de foco incluem avaliação de materialidade, premissas transparentes, análise da cadeia de valor, alinhamento de dados financeiros e de sustentabilidade e aproveitando diversas fontes de dados. A implementação dessas práticas pode ajudar as empresas a atender aos requisitos regulatórios em evolução e otimizar valor comercial a longo prazo.
Com o aumento significativo da atividade legislativa sobre sustentabilidade nos últimos anos, o risco climático é o gigante adormecido que poucas empresas enfrentaram. Abordar isso seria sensato, não apenas por ser uma exigência legal, mas porque, infelizmente, os impactos previstos das mudanças climáticas já chegaram e representam uma ameaça real aos negócios, à comunidade e ao ecossistema do qual dependemos.
Dados de risco climático abrangem uma ampla gama de informações relacionadas aos potenciais impactos das mudanças climáticas em uma empresa, indústria ou economia. Isso inclui dados sobre riscos físicos, como exposição a eventos climáticos extremos, como inundações, secas e tempestades, bem como impactos em ativos, operações e cadeias de suprimentos devido a mudanças na temperatura, precipitação e níveis do mar. Riscos de transição, como exposição a mudanças políticas e regulatórias (por exemplo, precificação de carbono, metas de redução de emissões), os impactos de mudanças tecnológicas (por exemplo, a mudança para energia renovável) e mudanças na dinâmica de mercado e nas preferências do consumidor, também são componentes cruciais dos dados de risco climático. Além disso, riscos de responsabilidade, incluindo potenciais ações judiciais ou pedidos de indenização relacionados aos impactos das mudanças climáticas, são uma consideração importante.
Esses dados de risco climático podem ser obtidos de vários canais, incluindo avaliações internas da empresa e processos de gerenciamento de risco, dados de modelagem e ciência climática de instituições de pesquisa e agências governamentais, estudos e referências específicas do setor, estruturas de divulgação voluntária como a Força-Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (TCFD) e provedores de dados terceirizados especializados que oferecem análises de risco climático.
O ponto-chave é que os dados de risco climático vão além das métricas ambientais – eles visam quantificar as implicações financeiras das mudanças climáticas para os negócios. Isso os torna relevantes para relatórios financeiros e tomada de decisões, não apenas para sustentabilidade e Relatórios ESG.
Um novo documento fornece uma visão geral de como algumas empresas estão fazendo isso. O Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade (IASB) gerencia as Normas Internacionais de Relatório Financeiro (IFRS), um padrão contábil global. O IFRS lançou recentemente as Normas de Divulgação de Sustentabilidade, fornecendo orientações sobre como relatar questões de sustentabilidade e clima. Essas normas estão sendo cada vez mais exigidas pelas autoridades legislativas nacionais. Algumas empresas já atendem a esses requisitos por meio da adoção das normas anteriores do IFRS, a TCFD e as normas do Conselho de Normas Contábeis de Sustentabilidade (SASB).
O IASB acaba de divulgar um rascunho para comentários intitulado “Incertezas relacionadas ao clima e outras incertezas nas demonstrações financeiras: exemplos ilustrativos propostos”. Ele oferece insights sobre como as empresas podem abordar a avaliação de risco climático dentro da estrutura de relatórios financeiros.
Lições importantes para orientar sua avaliação de risco climático:
Avaliação de Materialidade
A IFRS exige que as empresas realizem uma Avaliação de Materialidade, abordando o risco financeiro do clima para a empresa. A materialidade é um conceito-chave em finanças e sustentabilidade relatórios de divulgaçãoRefere-se ao limite ou critério utilizado para determinar quais informações são significativas ou importantes o suficiente para serem incluídas nas demonstrações financeiras ou nos relatórios de sustentabilidade de uma empresa. O conceito de materialidade baseia-se na ideia de que nem todas as informações são igualmente relevantes ou úteis para os usuários pretendidos das informações financeiras ou de sustentabilidade. A materialidade ajuda as empresas a se concentrarem na divulgação das informações mais críticas e úteis para a tomada de decisões.
No contexto dos relatórios financeiros relacionados ao clima, os principais aspectos da materialidade são:
- Impacto financeiro: As normas IFRS exigem que as empresas avaliem se os riscos e oportunidades relacionados ao clima têm um impacto financeiro significativo sobre a empresa. Isso pode incluir impactos sobre ativos, passivos, receitas, despesas, etc.
- Fatores qualitativos:Além dos impactos financeiros quantitativos, as empresas também devem considerar fatores qualitativos que podem tornar as informações relacionadas ao clima relevantes, como mudanças regulatórias, expectativas das partes interessadas ou riscos à reputação.
- Contexto específico da indústria: A materialidade das informações relacionadas ao clima pode variar significativamente de acordo com o setor. Empresas em setores com altas emissões ou vulneráveis ao clima precisam prestar mais atenção à materialidade relacionada ao clima.
- Perspectivas das partes interessadas: As empresas devem compreender as necessidades e expectativas de informação dos principais stakeholders, como investidores, ao avaliar a materialidade. O que pode ser considerado material pelos investidores pode diferir das perspectivas da gestão interna.
- Impactos futuros:As avaliações de materialidade devem considerar não apenas os impactos atuais, mas também os potenciais impactos futuros das mudanças climáticas que podem afetar a empresa no curto, médio e longo prazo.
Ao realizar uma avaliação abrangente de materialidade, as empresas podem garantir que estão divulgando as informações climáticas mais críticas e úteis para a tomada de decisões por investidores e outras partes interessadas. Isso ajuda a aumentar a transparência e a responsabilização em relação à gestão de riscos climáticos.
Recomenda-se que esta avaliação incorpore fatores qualitativos. Por exemplo, fatores como o ambiente regulatório e as expectativas do público podem influenciar a necessidade de divulgação de determinadas informações, mesmo que o impacto quantitativo pareça mínimo. Considere também os riscos específicos do setor; entidades que operam em setores particularmente vulneráveis a riscos climáticos, como energia ou manufatura, devem se concentrar no risco climático ao avaliar a materialidade. O contexto do setor desempenha um papel crítico na determinação da materialidade, por exemplo, infraestrutura que pode ser vulnerável a eventos climáticos extremos ou processos que são vulneráveis a interrupções globais da cadeia de suprimentos.
Divulgação de Suposições e Incertezas
Transparência nas principais premissas: Divulgue claramente as premissas feitas sobre os riscos climáticos que podem afetar as demonstrações financeiras. Em uma área de tamanha incerteza e variabilidade, as premissas são cruciais para ajudar a compreender o risco e a probabilidade. Isso pode incluir premissas sobre regulamentações futuras, preços de commodities e avanços tecnológicos.
Análise sensitiva: As premissas podem ter um impacto significativo na avaliação de riscos. Isso pode envolver a apresentação de diferentes cenários em que as premissas sobre riscos climáticos levam a resultados variados na avaliação de ativos ou no reconhecimento de passivos.
Cadeia de Valor e Emissões de Escopo 3
Relatórios abrangentes além das operações diretas: Avaliar e reportar os riscos climáticos não apenas dentro da organização, mas em toda a cadeia de valor. Isso inclui Emissões de escopo 3, que são emissões indiretas que ocorrem na cadeia de valor da empresa relatora, incluindo atividades a montante e a jusante. Alguns dos riscos mais significativos podem estar presentes a montante ou a jusante das operações.
Colaboração com fornecedores e clientes: Interaja com fornecedores e clientes para coletar dados sobre riscos climáticos em toda a cadeia de valor. Essa colaboração é essencial para avaliar e reportar com precisão as emissões de Escopo 3. Sistemas de gestão da sustentabilidade e as plataformas tecnológicas devem incluir a capacidade de se envolver efetivamente com a cadeia de suprimentos, tanto para coletar feedback quanto para promover padrões e expectativas.
Consistência entre relatórios financeiros
Alinhar relatórios financeiros e de sustentabilidade: Garanta que as informações divulgadas nas demonstrações financeiras sejam consistentes com as divulgações de sustentabilidade fornecidas em outras partes dos relatórios financeiros gerais da empresa. Esse alinhamento é crucial para evitar contradições que possam comprometer a credibilidade do relatório. A maioria das estruturas agora exige que os dados de risco climático sejam divulgados como um componente integrado dos relatórios corporativos anuais.
Abordagem Holística: Adote uma abordagem holística aos relatórios, considerando como as informações financeiras e não financeiras estão inter-relacionadas. Por exemplo, a estratégia de uma empresa para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa deve ser refletido não apenas em seus relatórios de sustentabilidade, mas também na forma como ela contabiliza e divulga os impactos financeiros relacionados.
Várias fontes de dados
Partes interessadas e dados de terceiros: Compreender e atender às expectativas de diversas partes interessadas, incluindo investidores, reguladores e clientes, em relação às divulgações relacionadas ao clima. O engajamento proativo com as partes interessadas pode ajudar a identificar riscos materiais que podem não ser imediatamente aparentes apenas por meio de avaliações internas. Provedores de dados terceirizados também podem fornecer insights valiosos, utilizando fontes de dados independentes e objetivas, e integrando-as às avaliações de risco para contestar ou confirmar suposições.
Conclusão
A realização de uma avaliação completa dos riscos climáticos envolve uma abordagem multifacetada que integra fatores qualitativos e quantitativos, considera os riscos em toda a cadeia de valor e garante a consistência entre os aspetos financeiros e relatórios de sustentabilidadeEssas medidas podem aumentar a confiabilidade e a transparência das suas divulgações financeiras relacionadas ao clima, alinhando-as às expectativas em constante evolução dos reguladores e de outras partes interessadas. A divulgação de riscos climáticos pode se tornar não apenas uma questão de conformidade, mas uma forma de otimizar genuinamente as operações e garantir valor comercial a longo prazo.
Plataformas tecnológicas podem ajudar a implementar todas as melhores práticas descritas acima. Da contabilidade de carbono e coleta de dados ao engajamento de stakeholders, integração multifuncional e engajamento da cadeia de valor, uma plataforma corporativa para gerenciar dados de sustentabilidade e não financeiros é essencial para agilizar a integração de dados de risco climático nos relatórios financeiros. Entre em contato com a Benchmark Gensuite se desejar discutir como podemos ajudar com esses aspectos. Por favor faça entre em contato com a Benchmark Gensuite if você gostaria de discutir como podemos auxiliar com estas aspectos.
O relatório completo, incluindo exemplos ilustrativos e a oportunidade de comentar até dezembro, está disponível aqui..
Custo Oculto das Emissões: O Banco Central Europeu afirma que os bancos estão cobrando taxas de juros mensais de empresas sem metas de redução de emissões que são, em média, 20 pontos-base mais altas do que as concedidas a empresas com metas. Os bancos também parecem diferenciar suas taxas de empréstimo com base nas emissões de carbono previstas de seus clientes, não apenas nas atuais. O Banco Central dos Países Baixos, em um estudo separado, chegou à mesma conclusão. Acompanhe este espaço para a próxima postagem do blog que discutirá o assunto.


